A história

Operação Chumbo-fundido


A "Operação Chumbo Fundido" é uma grande operação militar das Forças de Defesa de Israel, realizada na Faixa de Gaza, partir do dia 27 de dezembro de 2008. Em, o mundo árabe utiliza o termo Massacre de Gaza para descrever os acontecimentos.

Esta operação iniciou-se exatamente dois dias depois do Natal e foi acompanhada de por uma campanha internacional de Relações Públicas, cuidadosamente planejada, sob os aconselhamentos do ministro dos Estrangeiros de Israel.

Os principais objetivos não são os alvos militares do Hamas. A operação "Chumbo Fundido" pretende, deliberadamente, provocar baixas civis.

Trata-se de um "desastre humanitário planejado" em Gaza.

O objetivo a mais longo prazo deste plano, conforme formulado pelos políticos israelenses é a expulsão dos palestinos das terras palestinas:
"Aterrorizar a população civil, garantindo a destruição máxima de propriedades e recursos culturais… A vida diária dos palestinos tem que se tornar insuportável: Têm que ser encerrados nas cidades e aldeias, impedidos de exercer a sua vida econômica normal, afastados dos locais de trabalho, das escolas e dos hospitais. Isso encorajará a emigração e enfraquecerá a resistência a futuras expulsões" (Ur Shlonsky, citado por Ghali Hassan, Gaza: The World's Largest Prison Gaza: A Maior Prisão do Mundo, Global Research, 2005).

A ação militar israelense teve início dias após o fim de um acordo de cessar-fogo, que vigorou por seis meses, firmado entre o governo de Israel e representantes do Hamas, partido majoritário no Conselho Legislativo da Palestina e que controla a Faixa de Gaza. Como Israel não suspendeu o bloqueio à Faixa de Gaza e não cessou os ataques ao território palestino, militantes do Hamas anunciaram o encerramento oficial da trégua de hostilidades com Israel e passaram a lançar foguetes e morteiros em direção ao sul do território israelense. Dias depois do anúncio que resultou no fim da trégua, o grupo palestino ofereceu uma proposta para renová-la. Em 27 de dezembro de 2008, as Forças de Defesa de Israel iniciaram as operações militares, com o objetivo oficial de interromper os ataques de foguetes contra o território israelense.

Foi a ação militar mais intensa contra um território palestino desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. No primeiro dia da ofensiva militar, a força aérea israelense lançou mais de cem bombas em um intervalo de quatro minutos, incluindo bases, escritórios e campos de treinamento do Hamas nas principais cidades da Faixa de Gaza, entre as quais Cidade de Gaza, Beit Hanoun, Khan Younis e Rafah. Também foram alvos de ataques a infraestrutura civil, incluindo casas, escolas e mesquitas; Israel disse que destes locais são disparados muitos dos foguetes palestinos ou servem para esconder munição, e portanto não seria alvos civis.

Na noite do dia 3 de janeiro, começou a ofensiva por terra, com tropas e tanques israelenses entrando no território palestino.

No dia 17 de janeiro, o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert anunciou uma trégua unilateral a partir da madrugada do dia seguinte. O movimento Hamas também anunciou um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza de seus militantes e grupos aliados. O representante do grupo, Ayman Taha, afirmou que a trégua valeria por uma semana para que os israelenses possam retirar suas tropas da região. O Exército de Israel declarou que retiraria suas tropas da Faixa de Gaza até a posse de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos da América, no dia 20 de janeiro.

A questão mais intensa é se Israel, em conivência com Washington, pretende desencadear uma guerra mais alargada. Poderá ocorrer uma expulsão em massa em qualquer fase posterior da invasão terrestre, se os israelenses vierem a abrir as fronteiras de Gaza para permitir o êxodo da população. A expulsão foi referida por Ariel Sharon como "uma solução ao estilo de 1948". Para Sharon, "é apenas necessário encontrar outro estado para os palestinos. - 'A Jordânia é a Palestina' - foi a frase que Sharon criou". (Tanya Reinhart, op. cit.).